Nome Cientifico: Feminus Otarius

21:13

Eu me pergunto muitas vezes, de que forma as pessoas me vêm, e por mais proximo da verdade, nunca conseguem alcançar a dimensão real do conhecimento sobre alguem... Eu me questiono a mim mesma como eu me vejo também. Os anos passam, e jamais conseguimos deter todo o conhecimento sobre o outro. Vide meus pais. E tantos outros casais. Pois, todos escondemos algo, todos representamos.
Eis quem sou: uma pessoa, de 38 anos (não me sinto com essa idade!), uma mulher, que tem obrigações morais e familiares, e profissionais, e que tem o respeito das pessoas à volta. Aprendi que se deve ser uma dama para a sociedade, e uma puta na cama... Nunca fui sacana com ninguem, principalmente com as pessoas que me relacionei, que felizmente, na real, foram poucos; e geralmente, não retribuo atitudes ruins, seja em carater pessoal, fratenal ou profissional. Prefiro esperar que as pessoas se enforquem com as cordas que tecem em sua vida para acabar consigo mesmas. A famosa "volta do vento" ou a Lei do Retorno.

Sou essa moleca grande, que ainda adora empinar arraia, brincar de gude e fura-pé (eu era boa), brincalhona, expansiva, e o menos imaginado: doce, tranquila, e até inteligente, muito humana (ser policial tem dessas coisas: casos extremos, ou embrutece de vez, ou cria uma grande consciencia sobre as coisas, e por isso é muito bom que eu já não esteja nas ruas a serviço...) . Muito de mim se perdeu em meio a diversas e diversificadas situações profissionais. A vida tem dessas coisas, não é , Ricthie?

Fui criada de forma bem tradicional, aprendendo o que minha avó considerava realmente importante na educação de uma moça: cozinhar, costurar, bordar, fazer crochê, lavar, passar, arrumar e ficar de boca fechada...RS! O mais dificil: ficar com a lingua guardada na boca, por que eu falo demais, Aderbaaaaaaallllll! Essas eram alguns dos itens que faziam uma boa esposa na opinião da véia Vicencia, que por sinal, deixava claro que eu não era nem de longe, a sua favorita... Pode parecer cruel, mas ainda bem que ela... morreu...? Para ela, eu só detinha aspectos ruins, e eu já tenho a auto-estima no solado da minha Havaiana. Melhor ela do lado de Deus... ou seja lá qual for o lugar destinado a ela... Enfim, com pais evangelicos e tiranicos, eu apanhava até por olhar torto...rs! Hoje é muito engraçado, mas antes não. Eu odiava meus pais durante cada minuto em que doia. Levei socos, chutes, tapas na cara, apanhava de cinto, de bainha de facão, de fio, de sapato, de sandália. Eu não era tão filha-da-puta assim para apanhar do jeito que apanhei, sem critérios, sem cuidados, me deixando hematomas e me tirando sangue... Eu realmente, não era tão ruim. Claro: também nunca fui santa, e as vezes quando apanhava, eu sorria...sorria e pensava: vou fazer de novo mesmo! As vezes, bastava eu pensar em fazer, ja era motivo. Aprendi em certo momento, a aproveitar a fama...

Fui bem rebelde sim, de cortar o cabelo na 3, fazer greve de fome e fugir de casa para assistir um show do Sepultura na Concha Acústica do TCA... mas essa é uma historia muito longa.E tenho muitas outras, longas e emocionantes, como a do namorado que eu tinha que era 19 anos mais velho que eu, quando eu tinha so 15...RS. Tomei decisões certas, e decisões erradas. Colhi bons frutos e paguei caro, respectivamente... Casei cedo, perdi uma parte preciosa do que deveria ter sido a adolescência, brinquei de boneca usando minha filha... Ainda bem que sempre cuidei bem dos meus brinquedos... Quando meu casamento acabou, decidi não reatar um relacionamento falido sem respeito somente para dar satisfações aos outros, e crio maravilhosamente a minha filha, que é doce, inteligente, e eu sou sua heroina... Pelo menos, eu acho.
Certeza, certeza mesmo, só tenho de ter feito um trabalho massa formando esse serumaninho.
Uma decisão cheia da teoria da relatividade de Einstein... Fui mãe cedo (e me apavorei terrivelmente com as surpresas e as novidades), fiz tudo muito cedo, mas me descobri muito tarde, e percebi quem sou mais tarde ainda. Acho que na verdade, nem descobri de fato ainda, a ponto de eu estar agora, na beira dos 39 usando andadeira... e descobri que uso muitos adverbios de modo e intensidade nas minhas composições literarias...RS! Detesto ser julgada, adoro falar, odeio mentiras, adoro coisas de chocolate e que engordam, prefiro um pôr-do-sol a uma jóia, tenho defeitos incorrigíveis, paixões avassaladoras, apetite voraz, curiosidades sem limites, noção quase zero, dedicação eterna, lealdade incorruptível, fidelidade concreta, loucuras normais, anormalidades perfeitas, empirismo exacerbado, enfim, sou humana, da familia do "Feminus otarius"... Amo, amo mesmo, declaro e vivo sem medo de ser feliz! E se eu chorar, que não seja de arrependimento pelo que eu não fiz! O que me fizer feliz, vai ser a minha diretriz!
Quando eu for bem velhinha, vou olhar para tras e vou sorrir, eu sei, porque eu não vou poder me queixar, como minha mãe faz, porque se recalcou, e viveu a vida que a familia ou a opinião dos outros decidiu. Não me arrependo do que fiz, so lamento pelo que não obtive êxito, e me arrependo profundamente, por aquilo que deixei de fazer, pois no fim, eu vi que eu deveria ter feito...

Quero achar meios de transformar cada pequena coisa em raios de sol...Ou de lua, que tem mais a ver comigo. E dormir em paz com a sensação de dever cumprido.

You Might Also Like

1 comentários

  1. Gosto muito do jeito que escreves tia, você é power! E sim, você dormirá com dever cumprido!

    ResponderExcluir

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images

create with flickr badge.