Imensurável Pagu

10:36


Eu nunca fui santa. Mas também, nunca fui puta. O que eu tenho de diferente é essa minha forma de extravasar​, falar, gozar, correr, xingar, dizer quem eu sou e não deixar nenhuma margem para dúvidas.
Eu nunca fui santa e nem tenho essa pretensão, de passar uma IMAGEM que não corresponde com o que sinto do que sou. As relações para mim sempre aconteceram por vínculos emocionais, vontades e quereres a satisfazer...

Eu gosto de ser quem eu sou, mas mudaria se pudesse, alguns itens como falar demais e gostar demais de tudo que é ilegal, imoral e engorda. Mas, eu tenho uma necessidade premente de chocar! Eu realmente me divirto com a cara que as pessoas fazem quando falo do que sou, quem sou, do que gosto, das minhas estampas e intenções, tudo muito chocante (para eles) com toda a minha usual naturalidade. Se quero mais tatuagens, se quero mais do meu sexo, das minhas vontades, da diversidade, das minhas preferencias sexuais que tanto derrubam queixos, o faço para tirar disso as minhas melhores gargalhadas.

Se eu tivesse vivido na época da inquisição, teria morrido queimada numa fogueira.

Os homens fazem de tudo para classificar mulheres que sabem o que querem. Puta é a primeira coisa que dizem. Eles são só crianças com medo do fim da sua hegemonia. E tudo que não é espelho, é atacado com tochas e pedras.
E com certeza haverá um zé arruela usando esse post como motivo para abordagens desrespeitosas, no argumento apodrecido "ela estava pedindo". Coitados. Eu só peço o direito de ser eu. E eu não sou fácil, não se engane. Sou simples, mas não fácil. Só entra quem eu convido e o lugar está muito bem ocupado.

Mas, no fundo, sou uma mulher como outra qualquer, que ama, vive, sonha e batalha pelo amanhã, que quer ser amada, reconhecida, apreciada, e viva! As pessoas se recusam a ver o óbvio, que é óbvio que ninguém é só uma coisa o tempo todo. Eu sei fazer muitas coisas, e já fiz de tudo para ganhar a vida, menos roubar e me prostituir. Eu sou tão inteligente, que acho que minha cobra tem mesmo asas.
Não sou puta, vivi muito e ainda espero viver mais, e ver e conhecer da vida os prazeres que ainda não tive. Tem um monte de coisa gostosa que ainda não vi, não vivi, não senti onda.

Não sou santa e não sou puta, e amo sexo e admito; não me escondo atrás de falsos pudores, adoro a volúpia, os corpos enroscados, o suor, o cheiro lascivo de pele, a delicia do desejo satisfeito. E considero a melhor definição do mundo sobre isso, a frase do Boca do Inferno, Gregório de Matos,
"O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta."

Então, sou só uma mulher, com sede de vida, fome de prazer, de me realizar. Tenho orgulho dos meus seios, da minha cintura, da minha bunda, pois é tudo eu. Sou mais forte do que pareço, mas muito mais frágil do que imaginam... Mas, ainda assim, consigo ser mais homem que muito homem que eu vejo por ai.
Não sou filha de ninguém importante, não tô nem ai pra o que você pensa sobre mim, mas fico magoada se não me disser a verdade na cara. Sempre sobrevivo. Não é uma magoazinha à toa dessas que me quebra, afinal me refaço todos os dias.


Nem santa, nem puta, só mulher. Só alguém que descobriu o caminho a trilhar, que se descobriu e se aceitou, e sabe suas dádivas e suas dívidas. Nem anjo, nem demônio, mas um pouco dos dois, com pitadas de tudo que há de bom, um pouco desajustada, um pouco tresloucada, mas absolutamente centrada e ciente de quem sou. Uma Pagu. Talvez, não tão maravilhosa e subversiva, nem tão criativa e rica, mas sem dúvida, alguém que sabe de si. Nem santa e nem puta, mas ambas as coisas num só corpo, numa só vida. Uma mulher com uma dose pequena de hipocrisia, e admite tudo que é e faz. Ou não. Quem souber a verdade, que me conte. E é preciso ser muito mulher para ser Pagu.




"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre"
Patrícia Galvão, a Pagu

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1 comentários

  1. Adorei. Todas temos inúmeras facetas e no fundo todos querem que sejamos assim, mas temos que parecer todo o tempo iguais: frágeis, delicadas e doadoras do seu sexo. Mas é tudo nosso e te admiro por ser tão honesta consigo mesma, sim porque pra mosstrar tudo isso pro mundo primeiro você teve que se conhecer e se permitir. E muitas, muitas mesmo, nunca vão experimentar esse gostinho na vida. Beijão

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