O Preço do Orgulho

12:24

Uma cronica.


Costumamos pagar por coisas que desejamos ter... e caro pelas nossas atitudes, escolhas, posturas, sentimentos, desejos, vontades...mas acho que nada custa tão caro quanto o orgulho...
Ah, se soubessem quanto eu já perdi por causa dele, o tamanho do amor que deixei morrer... E eu que desaprendi a pedir pelo orgulho, tambem perdi oportunidades e coisas e pessoas. Mas, se o orgulho é só o que me resta nessa vida, então parafraseio a minha diva Florbela Espanca ao dizer: "Tenho que aprender o que ainda não sei: a ser humilde modesta. Perdoe sempre o meu ridículo orgulho de pobre soberba; mas o orgulho tem sido a minha suprema defesa, tem sido o meu amparo e a minha força. Devo-lhe tantos e tão bons serviços!"... E mais ainda, que é como se fosse dito por mim mesma: "Eu não sou muito má, mas, em compensação, sou extraordinariamente orgulhosa, e de todos os meus imensos defeitos é esse que eu mesma mais tenho combatido em vão."
Foi feito porém, o orgulho, para servir a muitos propositos, nenhum bom, claro, e como proteção, a minha escolha, por todas as humilhações que a vida me reservou e os sofrimentos que passei, se não estivesse tão protegida por um orgulho ressentido, teria sucumbido e me curvado como um galho verde no vento forte...
Orgulho custa mesmo caro. Custa de todo mais precioso que se possua. Custa a felicidade. Paguei com a solidão, e tive como troco, o desprezo, e ainda assim, o orgulho me bate à porta cobrando pedaçõs de vida que mais se parecem uma noite fria, encharcada de tristeza e rancor, afogada em uma dor fluida que escapa pelos dedos, se misturando ao meu tormento mais profundo... E se foram da minha vida, às expensas do orgulho, o arcanjo e o diabo, os que mais amei, arrancados como pedaços vitais que eram, minguando minha doçura até virar fel. E o orgulho virou arma letal que usa a lingua como artilharia e as palavras como munição, os olhos e ouvidos colhendo poder de fogo: eu parti para o ataque. E mais uma vez, pelo orgulho, se foram amigos, desejos e sorrisos. E cada vez mais vou me afundando nas faturas que o orgulho vai enviando ao longo do seu percurso, me deixando mais miseravel e só, mas aparentemente fabulosa, sempre sorridente numa pose pseudo-aristocrática falida.
O orgulho me colocou aqui onde e como estou agora. Escrevo do alto de um mirante no Santo Antonio. O mesmo lugar onde um dia estive nos braços de um anjo... minhas lágrimas rolam misturadas com um sorriso triste... O sol está rapidamente se pondo entre nuvens densas de outono, e sopra um vento frio. Droga! Esqueci de trazer um casaco... Tem uma taça de vinho sobre a mesa, o bloco e o papel trabalhando sob a minha mão. Estou sozinha. Minha única companhia é a tarde que morre em cores impossiveis de se traduzir para alem dos sonhos.
Mais adiante, vejo um casal, sentado e abraçado, trocavam beijos, como eu um dia fiz, mas as atitudes equivocadas levaram...

Acendo um cigarro. O primeiro em muito, muito tempo, e trago profundamente. O sol já desapareceu no horizonte enquanto eu o contemplava extasiada entre lembranças. Fiz minhas contas: o orgulho valeu a pena? Pelo seu preço deixei de insistir e dizer "eu te amo"....
Daqui de cima, vejo a Baía de Todos os Santos ganhar tons escuros e a lua minguante como uma ferida no céu, e ouço meus pensamentos lugubres. Estou vazia, não restou mais nada.
Já chorei todas as lagrimas, amaldiçoei todos os deuses, blasfemei e cuspi em todos os santos. Chamo o garçon, pago a conta. Levanto. Jogo tudo de qualquer jeito na bolsa, e passo a mão nos cabelos do meu jeito peculiar, acariciando e enrolando-os ao mesmo tempo minhas madeixas de fogo apagado como meus olhos.
Vou pra casa. Mas sem pressa. É só mais um lugar vazio como eu, infeliz como eu e destutuido de cores como eu. Não preciso correr, então caminho lentamente pela rua de pedras à caminho de um lugar em que niguém me espera. Vejo então agora, o quanto foi alto o preço. O quanto o orgulho custa por decisão... Vejo que a fatura é alta demais; custou muito para mim, na verdade, custou tudo, partes importantes da minha vida; pedaços da minha vida que abri mão em troca desse orgulho idiota...
Mas sempre há um novo amanhecer. Um novo amor se descortina.

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